quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sexualidade e religião: questão de interpretação

Nessa semana em que o comentário da vez tem sido a polêmica entrevista de Silas Malafaia concedida à Marília Gabriela no “De Frente com Gabi” do SBT, venho aqui compartilhar um certo posicionamento contrário ao de Malafaia.
Não quero entrar nas ideologias de cada igreja, afinal cada uma tem a sua maneira de interpretar a Bíblia. Sim, a Bíblia acaba tendo várias interpretações. Isso é válido, afinal, as igrejas têm a sua liberdade de expressão e isso gera debate do que é o certo ou errado.
Entretanto, sou contrário à discriminação dentro das igrejas, que muitas vezes chega a dissiminar o ódio contra determinado grupo. Na referida entrevista, tivemos uma declaração que ridiculamente constrangedora. "Eu amo os homossexuais como amo os bandidos. Eu não acredito que dois homens e duas mulheres tenham a capacidade de criar um ser humano", disse Malafaia na entrevista.
Comparar homossexuais a bandidos é totalmente absurdo. Ainda mais vindo de um pastor, que devia incluir a todos. Não quero aqui levantar uma bandeira. Mas homossexuais são acima de tudo seres humanos. E como todo ser humano, buscam, em sua grande maioria, na palavra de Deus o seu conforto.
Nesse sentido, merecem todos os méritos as igrejas que estão tendo uma visão inclusiva. E méritos maiores ainda são as as igrejas inclusivas que estão surgindo, voltadas especialmente para homossexuais, com um importante detalhe: todos podem frequentar, seja gay, lésbica, travesti, drag queen, heterossexual... E um detalhe importante: a liturgia é como em qualquer igreja, louvando a palavra de Deus, sem discriminar ninguém por identidade de gênero, condição social, entre outros.
No Rio Grande do Sul, um dos pioneiros na teologia inclusiva foi o bispo Anderson Zambon, fundador da Igreja Evangélica Inclusiva do Brasil, em Porto Alegre. Expulso de uma igreja tradicional, ele fundou a IEIB, que ganhou muitos adeptos.
Tive a oportunidade de conhecer a IEIB durante o segundo semestre de 2012, em um trabalho realizado na disciplina de Telejornalismo III da Unisinos, juntamente com minhas colegas Renata Santos, Juliana Litivin, Jessica Pedroso e Nathalie Abrahão, ao fazer uma reportagem sobre as igrejas pentecostais e neopentecostais e os movimentos alternativos que estão surgindo nesses grupos.
O próprio Zambon afirma que tudo é uma questão de como se interpreta a Bíblia. A iniciativa de Zambon e demais líderes inclusivos Brasil afora merecem todos os méritos, afinal encontramos igrejas que incluem todos aqueles que querem louvar a Deus.
A seguir confira a reportagem desenvolvida por nós.

http://www.youtube.com/watch?v=_HDw-fLLa8s


By Édson Luís Schaeffer

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