quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
CRÔNICA - Que cheirinho é esse?
Mas que cheirinho é esse que me persegue? Vou andando pela Leopoldo Wasum. O cheirinho me persegue. Mas que cheirinho é esse? Sigo caminhando, o cheirinho me acompanhando. Não dever ser meu Portinari do Boticário... Comprei ele ontem.
Sigo caminhando. Chego à Rua dos Beijos. O cheirinho chega junto. Fico pensando: “Que cheirinho é esse?”. O cheirinho não me parece estranho... Não, não pode ser isso. Sigo em frente. Chego à Associação dos Moradores – o cheirinho chega junto, de novo. Só ouço murmúrios: “Que cheiro é esse?”.
Olho para os lados. Eles também olham. Que cheirinho é esse? Tento adivinhar o que é isso que me persegue. Meus neurônios não devem ser. Está certo que estava desesperado atrás de uma pauta, tentando imaginar o que podia virar notícia. Mas não seria o suficiente para queimar os neurônios. Seria? Acredito que não.
Que cheirinho é esse? Sigo caminhando – já ganhando dor de cabeça, por duplamente pensar em pauta e no cheirinho que tanto me persegue. Sigo caminhando. Chego à Rua dos Cravos. O cheiro chega também, novamente. “Mas que cheiro insistente. Não larga do meu pé”, penso. Pé? Será chulé? Não, pouco improvável. Meia nova, tênis novo.
Paro para pensar. O cheiro não para, só me acompanha. Analiso. As pessoas passam por mim, olham estranho. Obviamente sentem esse cheirinho. Que cheirinho é esse? Começo a pirar nesse cheirinho. Será que o cheiro esta impregnado no meu nariz? Só pode... Volto à Associação. Passo uma água no rosto e no nariz, obviamente.
Saio. Mas o cheirinho volta de novo. “Mas que cheirinho infernal. Que cheirinho é esse? Larga do meu pé...”. Pé? Eis que decido olhar para os meus pés. Suspeitava desde o princípio. Descobri que cheirinho é esse, que tanto me perseguia, me fazia perder a concentração para achar uma pauta.
Que cheirinho é esse então? Só pode ter acontecido quando desembarguei do ônibus, chegando à querida Vila Brás. Eu havia pisado, como suspeitava desde o princípio, nas fezes de um cachorro – ou seria cadela? – na minha chegada à Brás. De certo de um dos vários cachorros (ou cadelas) abandonados ou soltos nas ruas da Vila. Cheirinho nada agradável, né?
Édson Luís Schaeffer
(Crônica publicada na edição de novembro do Jornal Enfoque Vila Brás, produzido pelos alunos de Redação Experimental em Jornal e Fotojornalismo da Unisinos para a Vila Brás, em São Leopoldo. 2012/2)
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