Nessa semana tive que fazer algo não muito comum,
pelo menos para mim, comprar um novo celular. Prefiro poucas mudanças, mas
como meu antigo aparelho estragou, fiquei sem opção. Passo a maior parte do meu
tempo longe de casa, por isso, rapidamente fiz outra aquisição.
Comprar um celular novo é um tormento. Os botões que antes
chamavam, agora mandam mensagem, os que desligavam, acessam a internet e os que
tiravam foto, tocam música. Ao sair da loja, me senti um verdadeiro dinossauro
tecnológico. Mas, o que mais despertou minha atenção, nos quase dois dias sem
celular, foi à dependência causada por ele. Esse pequeno aparelho me traz
conforto e segurança. Estranha realidade.
Dizem alguns cientistas que essa percepção tem nome e
explicação, chama-se nomofobia. O termo designa o desconforto ou angústia
causados pela incapacidade de comunicação, através de aparelhos celulares ou
computadores. Para as vítimas da síndrome o celular é praticamente um membro da
família.
Acredito não fazer parte desse grupo de pessoas. Eu acho que
não, será? Porém, devo admitir que atualmente o celular tornou-se um aparelho
fundamental para a sobrevivência humana. Com a correria diária e os constantes
desencontros, a única forma de diálogo ocorre via telefone. Muitas famílias
vivem juntas, mas dificilmente encontram-se dentro da própria residência.
Quando um sai o outro chega, e quando um chega o outro sai.
As novas tecnologias trouxeram facilidades para o cotidiano.
Entretanto, também modificaram negativamente as relações familiares. Recebemos
abraços e beijos virtuais. Esquecemos o valor do olhar, do toque e do cheiro.
Ao invés disso, apreciamos mensagens pelo facebook, solicitações de
amizades online, ligações para a vizinha do apartamento ao lado.
O celular ajuda a manter contato com pessoas distantes, porém
NADA substitui o mundo real. Precisamos aprender a utilizar as novas
tecnologias da melhor maneira, de forma que elas agreguem, e não excluam
sentimentos e sensações. Sejamos mais humanos e menos robóticos. Não deixamos
que a vida aconteça no modo automático.
by
Juliana Litivin

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