segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Serendipity




Serendipidade.
Do inglês, "Serendipity".
Significado: O ato de fazer uma descoberta afortunada por acaso.

Eram 17h30min do dia 06 de outubro. Aquele final de semana tinha tudo para ser normal: fui pra Morro Reuter matar as saudades da minha vó e agora estava na estrada voltando para São Leopoldo. Tirando o evento à noite, seguiria a mesma rotina de sempre, tão certa e feliz quanto 2 + 2 são 4.

Chegando perto de Novo Hamburgo, parei na sinaleira do bairro Rincão. A BR estava movimentada, muito mais do que o normal para um sábado à tarde. Olhei para o asfalto e ali jazia um cachorro atropelado. Não vou mentir: sou do tipo de pessoa que se sente mal quando vê essas coisas, mas logo depois tenta tirar da cabeça. Assim como quando algum cachorrinho de rua cruza meu caminho: silenciosamente desejo que nada de mal aconteça a ele, mas fisicamente não faço nada para reverter a situação.

Naquele dia foi diferente. Não sei explicar aquele momento, só sei que enquanto estava parada ali na sinaleira fiquei olhando para o cachorro. Os carros passavam ao lado e ele parecia inerte, imóvel. Deitado de lado, quase daria para acreditar que estava dormindo, não fosse o local pouco propício para uma soneca. Não estava no meio da rua, mas qualquer um poderia muito bem passar por cima dele. De repente, como se pudesse ouvir meus pensamentos, ele mexeu a pata. Um movimento leve, sutil. Depois começou a mexer mais rápido, até que, de maneira frenética, tentava a todo custo sair dali. Algumas tentativas em vão, ele parava para recobrar o ar. Talvez estivesse acabado de ser atropelado, talvez estivesse agonizando. E não existe nada mais cruel do que um “talvez”.

A sinaleira abriu. Em questão de segundos eu tinha que decidir se voltaria para casa a tempo de me arrumar tranquilamente para a formatura ou se ajudaria aquele cachorro. Se eu voltasse pra casa, ele ficaria a mercê de um atropelamento fatal e pior: eu teria ido embora com plena consciência disso. Assim como todas as outras vezes em que cruzei com um bichinho necessitado e desviei o olhar, estaria abandonando uma vida simplesmente porque naquele momento não me seria conveniente: eu já tenho um cachorro, eu tinha outros compromissos naquele dia e de prontidão eu não estava preparada para receber mais um amigo. Racionalmente falando recolher um cão atropelado era uma insanidade, mas como nem tudo nessa vida tem uma explicação racional, às vezes a gente precisa parar de seguir conceitos e agir pela intuição.

Parei o carro no acostamento e fui olhar o cachorro de perto. Estava inteiro. Não havia órgãos nem ossos expostos, nenhum tipo de ferimento mais grave. Estava perfeitamente saudável do ponto de vista aparente, não fosse por um machucado na boca, que a fazia sangrar. Deve ter apenas batido na lataria de algum carro sem ser atingido pela roda. Com o impacto, ficou desnorteado e caiu. Os olhos estavam parados, mas responderam quando tentei uma estimulação visual. Ele estava consciente de tudo. E ansiava por viver.

Logo após a minha aproximação, percebi que um carro parou no acostamento. Era um casal, que também se compadeceu da dor do cachorro. Eles me ajudaram a movê-lo até a beirada da estrada, onde seria impossível sofrer um atropelamento. Deitado na grama, ele nos fitava em estado de choque. A boca ainda sangrava muito, apesar de o ferimento parecer leve. Eu já estava pensando em como colocá-lo no carro quando a moça que se ofereceu para ajudar, disse: “Amiga, dou 15 minutos para esse cachorro estar morto, nem perde teu tempo com ele, não vale a pena”. Por um momento, eu hesitei. Pensei que ela poderia estar certa, pensei que certas coisas acontecem porque têm que acontecer e a gente não pode fazer nada em relação a isso. É o curso natural da vida. Mas naquele caso, o cachorro só estava com a boca machucada. Se eu não fizesse nada, eu estaria concordando que aquele ser poderia morrer atropelado quando na verdade tinha apenas um ferimento mínimo facilmente curável. O meu descaso custaria a sua vida.

Resolvi ignorar os comentários e mesmo assim o coloquei dentro do carro. Vim dirigindo a milhão até São Leopoldo, pedindo para que ele aguentasse. Já passei por uma situação de impotência em relação à morte e aquilo foi traumatizante. Nunca consegui superar a sensação de querer muito salvar alguém e não poder fazer nada. Sou terrivelmente teimosa e não sei o que é desistir. Não fui criada para entregar o jogo, mas nunca se sabe com quem a gente está jogando.

Chegando ao veterinário, o examinamos. O cachorro ficou de pé, sustentado por suas próprias pernas, excluindo uma possível fratura em sua coluna e membros. Ao tomar as injeções de dor e antibióticos para curar as escoriações, ele não esboçou uma emoção sequer. Ficou parado, atento às pessoas ao seu redor. Parece que sabia que nós estávamos ajudando ele. Não sou de acreditar em milagres, mas às vezes as coisas acontecem de tal maneira que parecem ter sido predestinadas a nós. O que é pra ser, sempre será.
Como moro em apartamento, decidi levá-lo à casa da minha vó. Lá temos um pátio grande com muita grama, árvores e mais dois cachorros. Pensei que seria bom para ele se recuperar em um ambiente aberto onde ele pudesse estar em constante contato com a natureza, ainda que nos primeiros dias ele não conseguisse se mover. De início ele teve um comportamento um pouco agressivo com os outros cães, de modo que se apoderou da casinha deles e também da comida. Nada mais normal para um cachorro que cresceu seguindo as leis da sobrevivência da rua. Ainda que este processo de confiança pudesse demorar, eu não desistiria assim tão fácil. Se dependesse de mim, aos poucos ele perceberia que cada cachorro tem seu cantinho, suas coisas e que todos têm o meu amor de maneira igual.

Uma semana e vários remédios depois, este é o Dudu depois do primeiro banho no pet shop. Ele não está 100% curado, ainda sente certo desconforto e passa longos períodos em repouso dentro da casinha, mas já superou todas as expectativas e batalhou muito para não ser “o cão dos 15 minutos”.  Às vezes me pergunto quantas histórias se escondem naqueles olhos brilhantes, que passado ele guarda em suas memórias. Fico imaginando se já pertenceu a alguém ou se é filho da rua, se já nasceu exposto às dificuldades que uma vida canina pode proporcionar. Diante de tudo isto, de todas essas respostas que eu nunca hei de encontrar, só sei que ao lutar pela sua própria sobrevivência, ele me deu a chance de cuidar do seu destino. E quando um cachorro te entrega a alma, significa que ele será seu melhor amigo pra sempre.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Personagens do meu livro de memórias


Em 20 de julho comemora-se o dia do Amigo. Coincidência ou não, este é o períodos de férias escolares. Costumo aproveitar o tempo livre para descansar e fazer coisas, que com a rotina da faculdade, não tenho tempo. Sinto um alívio enorme ao concluir um semestre, mas também sinto-me sozinha.  É engraçado e pode parecer insegurança minha.  No entanto, gosto de estar sempre rodeada de pessoas. Divirto-me ao ouvir histórias diferentes, observar estilos contrários ao meu e conversar sobre fatos corriqueiros do dia a dia.


Amigo é aquele que te ajuda, te apoia, te encoraja. Porém, tais classificações não são suficientes para defini-lo. Amigo é muito mais. Como disse Martha Medeiros em uma de suas crônicas, amigo é aquele que racha a gasolina, empresta a prancha, recomenda um lugar, da carona, escuta suas decepções amorosas, celebra suas vitórias, dá cola, segura a barra. Amigo também é aquele que critica, que dá bronca, que aponta os erros.
Alguns dizem que os opostos se atraem. Outros afirmam que os opostos se distraem. Seja qual for à resposta correta, prefiro acreditar que os amigos são a família que nós escolhemos. Eles são nossos irmãos emprestados. Juntos eternizamos lembranças, dividimos frustrações pessoais, vencemos pequenas batalhas. Amigos se unem por compartilhar gostos e atitudes, ou por pensar exatamente o contrário.
Admito que não sou a melhor pessoa para falar sobre este assunto. Tenho poucos amigos. Aliás, posso contar nos dedos aqueles que permanecem ao meu lado. Durante a juventude fazer “amigos” é fácil. Difícil mesmo, é manter a relação estável e duradoura. A amizade, assim como o casamento, necessita paciência, compreensão e, principalmente, respeito. Se você conhece alguém com estas características, parabéns você possui um verdadeiro amigo. Não se iluda com quantidade. Um amigo fiel e companheiro vale mais que uma dúzia de meros conhecidos.
Quero hoje felicitar aqueles que estão comigo nas horas boas e ruins (Valeu Quadrilha!). Aqueles que me estenderam a mão em situações que eu quase desisti dos meus sonhos. Obrigada pelas broncas e puxões de orelha. Estendo este agradecimento, aos meus familiares, que apesar de serem de sangue, nem sempre conseguimos manter um bom relacionamento.
Feliz dia do Amigo!

Hey amigo - Cachorro Grande

By Juliana Litivin

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Alô, alô marciano... Aqui quem fala é da terra!



Nessa semana tive que fazer algo não muito comum, pelo menos para mim, comprar um novo celular. Prefiro poucas mudanças, mas como meu antigo aparelho estragou, fiquei sem opção. Passo a maior parte do meu tempo longe de casa, por isso, rapidamente fiz outra aquisição.
Comprar um celular novo é um tormento. Os botões que antes chamavam, agora mandam mensagem, os que desligavam, acessam a internet e os que tiravam foto, tocam música. Ao sair da loja, me senti um verdadeiro dinossauro tecnológico. Mas, o que mais despertou minha atenção, nos quase dois dias sem celular, foi à dependência causada por ele. Esse pequeno aparelho me traz conforto e segurança. Estranha realidade.

Dizem alguns cientistas que essa percepção tem nome e explicação, chama-se nomofobia. O termo designa o desconforto ou angústia causados pela incapacidade de comunicação, através de aparelhos celulares ou computadores. Para as vítimas da síndrome o celular é praticamente um membro da família.  

Acredito não fazer parte desse grupo de pessoas. Eu acho que não, será? Porém, devo admitir que atualmente o celular tornou-se um aparelho fundamental para a sobrevivência humana. Com a correria diária e os constantes desencontros, a única forma de diálogo ocorre via telefone. Muitas famílias vivem juntas, mas dificilmente encontram-se dentro da própria residência. Quando um sai o outro chega, e quando um chega o outro sai.

As novas tecnologias trouxeram facilidades para o cotidiano. Entretanto, também modificaram negativamente as relações familiares. Recebemos abraços e beijos virtuais. Esquecemos o valor do olhar, do toque e do cheiro.  Ao invés disso, apreciamos mensagens pelo facebook, solicitações de amizades online, ligações para a vizinha do apartamento ao lado.

O celular ajuda a manter contato com pessoas distantes, porém NADA substitui o mundo real. Precisamos aprender a utilizar as novas tecnologias da melhor maneira, de forma que elas agreguem, e não excluam sentimentos e sensações. Sejamos mais humanos e menos robóticos. Não deixamos que a vida aconteça no modo automático. 


by Juliana Litivin



quarta-feira, 11 de julho de 2012



À espera de uma conexão

        Os olhares fixados atenciosamente para o painel de informações onde aparecem as informações dos voos chamam a atenção de quem passa. Ao subir a escada rolante para o terceiro piso do terminal novo, como é conhecido pelos funcionários das poucas lojas que ainda restam, havia um casal de idosos sentado em um canto, longe de tudo e de todos. O homem, aparentemente um senhor de uns 60 anos, com uma fisionomia fechada, estava ao lado da esposa, uma senhora sorridente, mas com um ar de cansaço e com o corpo totalmente relaxado na poltrona que se chegava a se esparramar de tão à vontade.
       No início, o senhor pareceu rejeitar a conversa com o repórter. Ficou sentado, com semblante fechado, com fisionomia diferente. Deveria estar cansado. A esposa, muito simpática, chamava-se Cristina Ribeiro, 59 anos.
      Com sorriso estampado no rosto, a senhora relatou que aguardava uma conexão para São Paulo. Vinha de Buenos Aires, viagem que programa há dois anos e que durou cerca de 30 dias. Devido ao nascimento de seu primeiro neto, Francisco, hoje com dois anos, acabou deixando a viagem de seus sonhos como segundo plano.

     Cristina conta que, ao chegar ao destino, se sentia uma criança novamente. Visitou diversos lugares durante sua estada em Buenos Aires, mas falava com muita euforia do Puerto Madero, um dos pontos turísticos mais procurados na Argentina. Sua localização é na região leste da cidade e fica junto o antigo porto de Buenos Aires, que possui uma extensa variedade de espaços gastronômicos e ainda conta com docas que foram transformadas em sofisticados restaurantes e lofts residenciais que conservam uma linda arquitetura antiga, com estilo inglês.

     Um pouco antes de terminar a conversa, o senhor que achou melhor não se identificar, pegou primeiro a mão da senhora do sorriso simpático. Depois, segurou sua bolsa. Desceram as escadas sem darem adeus.

Por Luan Pazzini

A força Three união


Uma palavra resumiu o evento: união
Tive o prazer de participar da organização de uma das maiores festas alternativas em Lajeado, Vale do Taquari, no último final de semana, dia 7 de julho. E diante do sucesso dessa festa Three, uma coisa ficou evidente: a força da união. União sim, porque três festas conceituadas na região dos Vales do Taquari e Rio Pardo – Up (Santa Cruz do Sul), Option Free (Venâncio Aires) e Colors Editions (Lajeado) – se uniram pra fazer esta festa “Three legal”. O resultado dessa união: mais de 600 pessoas passaram pela Magic Danceteria, local que sediou esta festa.
Qual o segredo para reunir tanta gente, para se divertir sem preconceitos? Como foi possível trazer para Lajeado cerca de 10 excursões da Serra, Região Metropolitana, Vale do Rio Pardo? A resposta pode ser descrita em uma única palavra: união. Não me refiro neste caso a união da Up, da Option Free e da Colors Edition. Mas sim a união de pessoas que compões essas promotoras de eventos.
O que se viu na festa foi uma equipe motivada, disposta a bem atender a todos, sem distinção de sexo, cor, raça, classe social, condição sexual. E essa motivação só ocorreu também porque há líderes na equipe, que entendem que somente com união se alcança ao sucesso. Mas a motivação não ocorreu somente durante a festa. Era bonito de se ver a equipe Three unida divulgando da melhor forma possível a festa pelas redes sociais.

Quando líderes sabem que o sgredo para o sucesso é a união, o mesmo se torna possível
A união, aliada a motivação, foram os segredos para o sucesso desse evento. Podemos dizer que a festa Three foi uma festa do nível que Lajeado e o Vale do Taquari merecem, uma festa de primeira numa cidade de primeira. Gente bonita, música e estrutura de qualidade e uma equipe que soube bem atender a todos. A Three mostrou como se realiza uma festa alternativa de qualidade.
Ta certo, sou suspeito de falar sobre esta festa, afinal estive junto à organização. Mas quero deixar claro que o escrevo aqui foi se eu estivesse olhando de fora, como alguém que queria festas de qualidade e saiu da Three com a certeza esta não foi a única edição desse já consagrado evento. Isso graças a união. Aliás, “a união faz a força”.

Sim, houve filas para entrar na festa


By Édson Luís Schaeffer

segunda-feira, 9 de julho de 2012




Não deixe que morra em você a criança. Que vê a vida com olhos de sonhos, onde brilha a esperança e a felicidade.

Que se encanta com cada descoberta, pois o mundo é um mundo de coisas a descobrir. Que é verdadeira em seus gestos e ações. Que não teme em ser ridícula ou fazer feio, apenas age com naturalidade.

Que viaja na imaginação, com companheiros irreais e tão reais. Que consegue conversar consigo mesma, falar de seus sonhos e seus medos.

Que vibra de alegria por cada vitória alcançada, mesmo que pareça pequena diante de tudo que tem por conquistar.

Que deseja ser grande e ser tanta coisa. Que às vezes parece tão distante de si, mas não importa, pois o ser começa em desejar ser. Que ao sentir-se carente, aconchega-se no colo de alguém sem receio de não poder retribuir.

Que se sente protegido por se amado. E ama, sem medo de não ser correspondido.

Que não age com preconceito diante do diferente, pois ser diferente não é ser mais nem menos, apenas diferente. Que age com naturalidade diante da morte, pois a vida não é mais do que uma parte do caminho.

Que sorri e chora quando tem vontade, pois as emoções são para ser vividas e compartilhadas.

Ser adulto também é manter-se criança.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Amor Titânio


O amor... Ai o amor. Às vezes sou obrigado a acreditar no jargão “O amor é uma dor...”. Um sentimento tão mágico, puro. Mas as vezes pode ser tão doloroso. Um sentimento tão contrastante: de uma felicidade tamanha para algo que te fazer sofrer. É assim que tenho me sentido nos últimos tempos. É tão bom se apaixonar. Só que os tombos são tão grandes. Queria que as coisas fossem diferentes, mas...
Paro para pensar. As pessoas hoje só querem te usar, abusar e depois descartar. É o que vejo. Talvez eu seja o único que ainda tenha sentimentos? Não vou dizer que sou o único, no entanto, estes infelizmente sejam poucos ainda. Mas vejo uma sociedade que o casual sem compromisso fala mais alto do que viver os mais belos sentimentos.
Sim. Ainda prefiro o amor, o companheirismo e, acima de tudo, a sinceridade. E dizer que é sincero não é suficiente. Tem que provar. Provar como? Com atitudes. As vezes temos que ter este momento de reflexão, do que realmente se quer. Acho que esta chuva que hoje caindo me fez ficar carente de amor, após muitas decepções.
Mas ouvindo Titanium, de David Guetta, decidi: vou seguir adiante. Chega de pensar nos outros. Vou pensar em mim. Não vou mudar pr alguém. Já mudei por mim. Tenho meus defeitos, mas tenho muitas qualidades também. #ficaadica
Segue a letra que resume meu momento hoje.

Titânio David Guetta
Você grita alto
Mas eu não ouço uma palavra do que você diz
Eu estou falando alto sem dizer muita coisa
Fui criticada, mas as suas balas ricocheteiam
Você atira em mim, mas eu levanto

Sou à prova de balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia, mire
Atire, atire
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio

Pode acabar comigo
Mas você é quem terá mais para sofrer
Cidade fantasma, amor mal-assombrado
Erga a voz, paus e pedras podem me quebrar os ossos
Estou falando alto, mas não estou dizendo muita coisa

Sou à prova de balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia, mire
Atire, atire
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio

Dura como pedra, metralhadora
Atirando naqueles que se erguem
Dura como pedra, como vidro à prova de balas

Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio

By Édson Luís Schaeffer

Minha Essência





Vida, jamais permita que eu perca essa minha essência de “gente do interior”. 


Que eu jamais desaprenda o valor de um abraço, que eu jamais dê mais atenção às coisas do que às pessoas. Que eu volte correndo pra minha cidadezinha e perceba que nada mudou. Quero o vento batendo no meu rosto, quero liberdade de espírito, quero voltar pra casa a pé de madrugada contando estrelas num céu que só meus olhos podem ver. Quero a saudade, quero a ligação só pra ouvir a voz, quero a reunião em família ou a festa em que eu possa reencontrar todos os meus amigos sem pensar no amanhã. Quero rolar na grama com os cachorros, tomar banho de mangueira, ir ao mercadinho para a vó. Quero comer bolinho de chuva escutando histórias de vidas que antecederam a minha, quero dormir tranquila envolta em um silêncio que me permite ouvir minha própria respiração. Que o bom vinho nunca falte, que os motivos para celebrar nunca cessem, que os problemas sejam encarados com a simplicidade de quem sabe sua verdadeira importância. Que eu possa aprender com a sabedoria dos mais velhos, que eu possa compreender as palavras de um olhar. Que eu jamais subestime as coisas simples da vida, mas que entenda que elas são tudo o que eu vou levar dessa jornada. Que os bons ventos nos tragam a carícia daqueles que já se foram com a certeza de que jamais deixarão de nos acompanhar em nossos caminhos.

Quero essa coisa intimista, essa hospitalidade, esse convite para entrar.

Quero pra sempre essa coisa de “gente do interior”.





By Jéssica Pedroso

terça-feira, 3 de julho de 2012

"Ela"




Ela te proporcionou momentos incríveis, como aquele dia em que, em meio as folhas caídas do outono, você se apaixonou perdidamente. Sentados no banco daquele parque outrora florido, você teve a certeza quando aquele abraço se encaixou perfeitamente no seu, e, nas batidas do seu coração, escondeu o nome dela.
Descobriu algo que ninguém conseguiu te proporcionar, mas ela, na sua simplicidade, conseguiu.
Era uma sensação única, e você quis que aquilo durasse para sempre.

Você já namorou outras pessoas, e cada uma delas levou um pedacinho de ti.
Natural, todo mundo se doa um pouco.

Mas ela meu caro, ela lhe teve por inteiro.

Logo você, que sempre foi duro na queda, desacreditado no amor.
O forte foi derrubado, as muralhas caíram.

E você, se entregou.

Decepções, sofrimento, relacionamentos que não deram certo.
Todos eles foram necessários para você chegar até ali.
Para encontrá-la.
Para se apaixonar.
Para aprender com ela.

Para vivê-la.

Mas aí, no auge do sonho, você acorda.

Olha para o lado, ela não está mais ali.
E percebe que, muito além de levar lembranças, momentos, muito além da ausência sentida,
Ela levou você.



By Jéssica Pedroso